Alunos da Jobra enchem a Sala Suggia num concerto onde a água foi som, memória e esperança

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A Sala Suggia da Casa da Música esgotou para receber “Da Água Nasce o Som”, um concerto da Jobra Educação que levou ao grande palco um projecto pedagógico ambicioso e de forte impacto emocional. Em palco estiveram a Orquestra Jobra Educação, coros e solistas, reunindo alunos das três escolas da instituição e estudantes Erasmus+, num programa que cruzou épocas, estilos e linguagens musicais.

Sob direcção artística e musical de André Granjo, os jovens músicos apresentaram um alinhamento exigente, afastado da ideia convencional de “concerto escolar”. O repertório percorreu Händel, Tchaikovski, Joly Braga Santos, Alex Shapiro, Lorenz Maierhofer e Étienne Perruchon, tendo a água como fio condutor simbólico e estético.

A abertura com “Beneath”, de Alex Shapiro, criou de imediato uma atmosfera contemporânea, com uma escrita orquestral fluida e envolvente. Seguiu-se a “Barcarolle” de Offenbach, interpretada por um grupo de solistas femininas, antes da imponência da “Water Music Suite” de Georg Friedrich Händel, apresentada em vários andamentos e marcada por energia e clareza de articulação.

O romantismo ganhou forma com excertos de “O Lago dos Cisnes”, de Piotr Ilitch Tchaikovski, onde a orquestra demonstrou coesão, controlo dinâmico e sentido narrativo. Na vertente coral, destacaram-se “The Silence is Flowing”, de Lorenz Maierhofer, e “Djia”, da cantata Tchikidan, de Étienne Perruchon, peças de forte impacto expressivo e rítmico.

Um dos momentos mais solenes da noite foi o “Tríptico Coral Sinfónico sobre ‘A Mensagem’”, de Joly Braga Santos, sobre poemas de Fernando Pessoa. Aqui, a água surge associada ao mar simbólico da identidade portuguesa, da viagem e da memória colectiva, exigindo maturidade interpretativa por parte de orquestra e coros.

Na intervenção final, o maestro referiu a coincidência entre o tema do concerto e as recentes intempéries que atingiram várias regiões do país. A água, celebrada ao longo da noite como fonte de vida e inspiração, foi também evocada como força destruidora, num gesto de homenagem às vítimas das cheias e tempestades.

O encerramento do concerto assumiu um carácter simbólico. Num dia de eleições, e perante a ausência de consenso interno sobre a escolha do encore, a decisão foi tomada pelos próprios participantes do concerto. A opção recaiu sobre “I Vow to Thee, My Country”, de Gustav Holst, interpretada com letra em português, num momento final de forte carga emocional que ligou música, sentido de pertença e compromisso colectivo.

Mais do que um concerto, “Da Água Nasce o Som” afirmou-se como prova da vitalidade do ensino artístico especializado e da capacidade dos jovens músicos em ocupar, com qualidade e ambição, um dos palcos mais conceituados do país.

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