OLIVEIRA DE AZEMÉIS – No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Oliveira de Azeméis transformou-se no palco de uma simbiose perfeita entre a tradição industrial e a arte filarmónica.
O IX Encontro de Bandas de Música de Oliveira de Azeméis, subordinado ao tema “Vidro, Moldes e Filarmonia”, culminou com um momento de pura eletricidade cultural: a estreia conjunta da obra “Ponto de Fusão”, que juntou mais de trezentos músicos em palco num verdadeiro “trovão” sonoro de homenagem à identidade da região.
Um dia de celebração e encontros
O programa começou cedo, pelas 10h00, na Zona Pedonal e no Largo da República com o tradicional Desfile das Bandas. Mais tarde, às 11h30, o Largo da República foi palco da Marcha Conjunta “Benemérita”, uma obra composta e dirigida por Catarina Costa.
A tarde prosseguiu a partir das 15h00 com os concertos individuais das seis bandas filarmónicas no Centro Paroquial de Cucujães, local que acolheu em simultâneo a exposição “Do Vidro aos Moldes”, preparando o público para o momento mais aguardado do dia.
A “trovoada” de mais de 300 músicos no “Ponto de Fusão”
O grande destaque do encontro deu-se às 17h30 com a estreia conjunta da obra “Ponto de Fusão”, uma composição encomendada ao conceituado compositor valenciano Ferrer Ferran (nome artístico de Fernando Ferrer Martínez, nascido em 1966). Reconhecido internacionalmente e famoso por criar “música para fazer feliz”, Ferran desenhou esta peça como uma metáfora perfeita: assim como o ponto de fusão é o instante em que a matéria se torna maleável e aberta a novas formas, também na música o som se funde, se adapta e ganha caráter.

Para dirigir este desafio monumental, o encontro contou com o maestro convidado Manuel Silva. Natural de Castelo de Paiva e com uma vasta formação especializada em direção de bandas pela Academia Portuguesa de Banda, Manuel Silva acumulou ao longo da carreira um enorme prestígio à frente de várias formações em Portugal e Espanha.
Sob a sua batuta, o palco estremeceu com a energia contagiante de mais de trezentos músicos que, em perfeita sintonia, deram corpo à união das seis filarmónicas do concelho:
- Banda de Música de Santiago de Riba-Ul
- Sociedade Filarmónica Cujanense
- Banda de Música de Carregosa
- Banda Musical de Fajões
- Banda de Música de Loureiro
- Banda de Música de Pinheiro da Bemposta
“A obra evoca a energia do fogo e a força do trabalho artesanal através de passagens de grande intensidade, contrastando com momentos líricos e flexíveis, como as curvas suaves do vidro ao esvair-se dentro do seu molde.”
A prestação conjunta dessa gigantesca massa humana funcionou como uma autêntica “trovoada” musical. As passagens de grande densidade e volume sonoro evocaram de forma fidedigna a força das fábricas, o calor do fogo e o impacto dos moldes metálicos. Em contrapartida, os momentos líricos desenharam no ar a delicadeza do vidro moldado, transformando a grande orquestra num “atelier sonoro” onde cada músico deu corpo ao som e cada motivo encontrou a sua forma definitiva.
Encerramento em apoteose
Mais do que um concerto, o evento foi uma vénia pública e emotiva às pessoas que transformaram a indústria dos moldes e do vidro em símbolos de precisão, herança e criatividade coletiva da nossa terra.
Após a estreia da obra, o encontro encerrou com a interpretação conjunta do Hino Nacional por todas as bandas, fundindo em definitivo a herança industrial com a alma da música filarmónica num dia que ficará gravado na história cultural de Oliveira de Azeméis.

