Igreja da Misericórdia de Abrantes acolhe concerto comemorativo do 97.º aniversário do Orfeão

Date:

A Igreja da Misericórdia de Abrantes foi o palco escolhido para celebrar o 97.º aniversário do Orfeão de Abrantes, através de um concerto comemorativo especial realizado neste domingo, 31 de maio. O evento cultural reuniu o talento local e convidados especiais num programa musical rico e marcado por momentos de grande partilha.

Duas formações de excelência

O espetáculo contou com a atuação de dois grupos corais de referência:

  • Coro Misto do Orfeão de Abrantes: A emblemática instituição da cidade (fundada em 1929) apresentou-se sob a direção do maestro Tiago Vitória Rodrigues e foi acompanhada ao piano por Acácio Teixeira.
  • Grupo Coral da Jobra: Vindo de Albergaria-a-Velha (Branca), o grupo convidado atuou sob a experiente direção da maestrina Ana Carolina Silva.

Um percurso de persistência e olhos no futuro

Durante o evento, a Presidente da Direção do Orfeão de Abrantes, Elisabete Pereira, tomou a palavra para sublinhar o significado histórico da instituição, definindo-a como uma “verdadeira casa da música onde convivem o rigor artístico, a formação musical e o espírito comunitário”.

No seu discurso, Elisabete Pereira recordou que o caminho nem sempre foi fácil, atravessando momentos de escassez e incerteza política e social. Contudo, destacou a “persistência” de dirigentes, maestros, coralistas e da própria comunidade abrantina como o motor que manteve viva a chama da instituição. Olhando em frente, a responsável apontou para as novas dinâmicas do grupo, como o Canta’Brantes e o recentemente formado grupo de cavaquinhos, projetando já o caminho em direção às comemorações do centenário, que se assinala em 2029.

O momento protocolar contou ainda com uma homenagem artística especial: a orfeonista Helena Assis subiu ao palco para declamar um poema dedicado à história e identidade do Orfeão, evocando as vozes que “espalham sons cheios de rosas e cravos de amor e de embalo, num tempo sem tempo nem idade”.

Reconhecimento municipal além-fronteiras

A vereadora da Câmara Municipal de Abrantes, Raquel Olhicas, marcou presença no evento e usou da palavra para elogiar o percurso daquela que considerou ser “uma das associações mais antigas do nosso concelho”. A autarca sublinhou o orgulho do município sempre que o grupo atua, destacando a importância do ensino da música através das várias valências do Orfeão, como o Canta’Brantes e o grupo de cavaquinhos.

Raquel Olhicas fez ainda questão de enaltecer a projeção do nome de Abrantes a nível nacional e internacional — lembrando as próximas deslocações do grupo, nomeadamente à Branca e ao estrangeiro —, deixando um voto de profundo reconhecimento pelo trabalho da atual direção liderada por Elisabete Pereira. “A música tem este efeito: é agregadora, é pacificadora e, a nível social, é das melhores coisas que podemos ter”, concluiu a vereadora, garantindo o apoio contínuo do executivo municipal no futuro.

97º aniversário Orfeão de Abrantes
97º aniversário Orfeão de Abrantes

Um alinhamento de partilha e emoção

O concerto dividiu-se inicialmente entre as duas formações, oferecendo uma viagem que cruzou a música sacra, a música popular e clássicos da pop/rock internacional:

O Coro Misto do Orfeão de Abrantes abriu as festividades com peças densas e solenes como “Signore delle Cime” de Giuseppe de Marzi, “Cantique de Jean Racine Op. 11” de Gabriel Fauré e os espirituais negros “Amazing Grace” e “I’m gonna sing”, interpretando ainda “The River is Flowing” de Lorenz Maierhofer. O reportório incluiu também temas tradicionais portugueses como “Canção da Vindima” (Beira Baixa, com arranjo de Fernando Lopes-Graça) e a “Balada de Outono” de José Afonso, fechando com “Melhor de Mim” da fadista Mariza.

Por sua vez, o Grupo Coral da Jobra trouxe uma seleção que aliou o clássico ao contemporâneo, destacando-se as interpretações de “Jubilate Deo” de P. Anglea, “Ave Maria” de G. Caccini (com arranjo de P. Liebergen) e “Jesus bleibet meine Freude” de J. S. Bach. O grupo interpretou também “He is always close to you” de M. Carbow e a peça habanera “A tu lado” de Javier Busto, além de trazer arranjos de temas célebres como “Adiemus” de K. Jenkins, “Amar pelos dois” de Luísa Sobral e “Imagine” de John Lennon. As atuações contaram com o suporte instrumental do pianista Pedro Almeida e da violinista Nataliya Hul-Petryk.

Apoteose final com vozes unidas

O grande destaque da tarde acabou por surgir fora do alinhamento inicialmente previsto no programa impresso. Numa demonstração de cumplicidade e fraternidade musical, o Coro Misto do Orfeão de Abrantes e o Grupo Coral da Jobra uniram as suas vozes em palco.

Juntos, os dois coros interpretaram de forma emocionante os temas “Hallelujah” de Leonard Cohen e “You raise me up” (ambos com arranjos de R. Emerson), arrebatando o público presente na Igreja da Misericórdia e encerrando a celebração dos 97 anos do Orfeão de forma memorável.

Share post:

[tds_leads title_text="Subscribe" input_placeholder="Email address" btn_horiz_align="content-horiz-center" pp_checkbox="yes" pp_msg="SSd2ZSUyMHJlYWQlMjBhbmQlMjBhY2NlcHQlMjB0aGUlMjAlM0NhJTIwaHJlZiUzRCUyMiUyMyUyMiUzRVByaXZhY3klMjBQb2xpY3klM0MlMkZhJTNFLg==" f_title_font_family="653" f_title_font_size="eyJhbGwiOiIyNCIsInBvcnRyYWl0IjoiMjAiLCJsYW5kc2NhcGUiOiIyMiJ9" f_title_font_line_height="1" f_title_font_weight="700" f_title_font_spacing="-1" msg_composer="success" display="column" gap="10" input_padd="eyJhbGwiOiIxNXB4IDEwcHgiLCJsYW5kc2NhcGUiOiIxMnB4IDhweCIsInBvcnRyYWl0IjoiMTBweCA2cHgifQ==" input_border="1" btn_text="I want in" btn_tdicon="tdc-font-tdmp tdc-font-tdmp-arrow-right" btn_icon_size="eyJhbGwiOiIxOSIsImxhbmRzY2FwZSI6IjE3IiwicG9ydHJhaXQiOiIxNSJ9" btn_icon_space="eyJhbGwiOiI1IiwicG9ydHJhaXQiOiIzIn0=" btn_radius="3" input_radius="3" f_msg_font_family="653" f_msg_font_size="eyJhbGwiOiIxMyIsInBvcnRyYWl0IjoiMTIifQ==" f_msg_font_weight="600" f_msg_font_line_height="1.4" f_input_font_family="653" f_input_font_size="eyJhbGwiOiIxNCIsImxhbmRzY2FwZSI6IjEzIiwicG9ydHJhaXQiOiIxMiJ9" f_input_font_line_height="1.2" f_btn_font_family="653" f_input_font_weight="500" f_btn_font_size="eyJhbGwiOiIxMyIsImxhbmRzY2FwZSI6IjEyIiwicG9ydHJhaXQiOiIxMSJ9" f_btn_font_line_height="1.2" f_btn_font_weight="700" f_pp_font_family="653" f_pp_font_size="eyJhbGwiOiIxMyIsImxhbmRzY2FwZSI6IjEyIiwicG9ydHJhaXQiOiIxMSJ9" f_pp_font_line_height="1.2" pp_check_color="#000000" pp_check_color_a="#ec3535" pp_check_color_a_h="#c11f1f" f_btn_font_transform="uppercase" tdc_css="eyJhbGwiOnsibWFyZ2luLWJvdHRvbSI6IjQwIiwiZGlzcGxheSI6IiJ9LCJsYW5kc2NhcGUiOnsibWFyZ2luLWJvdHRvbSI6IjM1IiwiZGlzcGxheSI6IiJ9LCJsYW5kc2NhcGVfbWF4X3dpZHRoIjoxMTQwLCJsYW5kc2NhcGVfbWluX3dpZHRoIjoxMDE5LCJwb3J0cmFpdCI6eyJtYXJnaW4tYm90dG9tIjoiMzAiLCJkaXNwbGF5IjoiIn0sInBvcnRyYWl0X21heF93aWR0aCI6MTAxOCwicG9ydHJhaXRfbWluX3dpZHRoIjo3Njh9" msg_succ_radius="2" btn_bg="#ec3535" btn_bg_h="#c11f1f" title_space="eyJwb3J0cmFpdCI6IjEyIiwibGFuZHNjYXBlIjoiMTQiLCJhbGwiOiIxOCJ9" msg_space="eyJsYW5kc2NhcGUiOiIwIDAgMTJweCJ9" btn_padd="eyJsYW5kc2NhcGUiOiIxMiIsInBvcnRyYWl0IjoiMTBweCJ9" msg_padd="eyJwb3J0cmFpdCI6IjZweCAxMHB4In0="]
spot_imgspot_img

Popular

More like this
Related

Duas gerações unidas pelo “superpoder” da escrita na Escola de Areosa

Dez anos após a publicação de um livro inspirado...

Oliveira de Azeméis celebra a indústria do vidro e dos moldes no IX Encontro de Bandas

OLIVEIRA DE AZEMÉIS – No Dia de Portugal, de...

Universidades portuguesas resistem no topo mundial à boleia da investigação

Edição de 2026 do ranking CWUR coloca as cinco...

Alunos da Jobra enchem a Sala Suggia num concerto onde a água foi som, memória e esperança

A Sala Suggia da Casa da Música esgotou para...