Proteção Civil testa resposta a acidente com matérias perigosas em Estarreja

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etrsegura_1cover_01sÉ já esta quarta-feira, dia 11 de novembro, que Estarreja testa os meios operacionais de resposta a um acidente no transporte de matérias perigosas, tipificado no PEE – Plano de Emergência Externo, um plano específico para ocorrências relacionadas com a indústria química. O simulacro prevê a ativação de vários agentes e organismos de Proteção Civil e entidades de apoio perante a simulação de um acidente que envolverá duas cisternas, um autocarro, uma viatura ligeira e várias vítimas. Este exercício vai decorrer no Eco Parque Empresarial de Estarreja, na Variante Norte/ EN 224.

 

Mais de 150 agentes e figurantes no terreno

Para este exercício de natureza “LiveEx”, caracterizado por “envolver meios reais” no terreno, “estarão empenhados 96 bombeiros (será montado um PCO – Posto de Comando Operacional), 48 veículos, 30 elementos do INEM, entre médicos, enfermeiros e outros técnicos, e um Posto Médico Avançado onde é feita a triagem e o socorro pré hospitalar”, explicou a coordenadora do Exercício, Marisa Machado, no programa informativo transmitido na última sexta-feira na Rádio Voz da Ria, dando nota da dimensão considerável desta ação que envolverá igualmente a GNR, o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV), várias corporações de bombeiros, para além dos Bombeiros Voluntários de Estarreja, e a Escola Secundária de Estarreja (com duas turmas como figurantes).

Em simultâneo ao comando operacional, a CMPC – Comissão Municipal de Proteção Civil estará reunida na Sala de Crise, que funcionará na Área Social e de Negócios do Eco Parque Empresarial. Presidida pelo Presidente da Câmara Municipal, compete à CMPC determinar a ativação dos Planos de Emergência de Proteção Civil, bem como a sua desativação. Composta por várias entidades, a CMPC estará reunida e a dar apoio à decisão e neste caso “terá uma componente importante. Porque é ativado o PEE, estará uma assessoria da indústria química, quer a apoiar a decisão na Comissão, quer no PCO”, sublinha Marisa Machado.

Pedro Gonçalves, secretário do PACOPAR (painel comunitário de atuação responsável onde estão representadas as empresas químicas) especificou o papel decisivo deste grupo de assessoria técnica. “Informarmos quais as condicionantes, quais as características das substâncias químicas que estão em jogo”, acrescentando que“não vai ser a primeira vez que os Bombeiros Voluntários de Estarreja e os elementos das empresas (brigadistas) vão estar juntos a combater uma emergência ou a simular essa emergência”.

Ver de que forma as entidades comunicam e se articulam entre si é um dos desafios relevantes da ação. Marisa Machado destaca a importância de todo o trabalho de planeamento que está a ser feito. “As ações prévias, reuniões e comunicações entre entidades são importantes. De que forma é que nos articulamos todos juntos e de que forma falamos numa situação real?” As entidades envolvidas estão empenhadas em responder eficazmente a esta questão “quer nesta fase de preparação, quer no dia do exercício propriamente dito”.

Neste trabalho coletivo, os BVE estão “preocupados em estabelecer diálogos e elos de ligação. É um passo acertado o que se está a dar agora”, comenta o comandante dos bombeiros estarrejenses, Ernesto Rebelo. “Bastantes profissionais vão estar aqui connosco, trata-se de um grande treino que visa estarmos aptos. Queremos estar sempre preparados”.

 

Poucos locais estarão tão bem preparados como Estarreja

A presença do Complexo Químico é um fator incontornável e para Pedro Gonçalves “a comunidade aqui em Estarreja não se deve sentir especialmente insegura, antes pelo contrário. Este acidente que vamos simular podia acontecer em qualquer parte do país. É só pensar na quantidade de cisternas que andam por aí a circular com combustíveis por exemplo. Portanto este tipo de incidente poderia acontecer em qualquer parte e eu duvido que haja muitos sítios tão bem preparados como Estarreja para fazer um combate a este tipo de emergências.”

A diretiva SEVESO e o esforço das empresas químicas na aplicação de medidas de segurança, algumas das quais praticadas voluntariamente para além do previsto na lei, dão garantias de confiança, afirma o Presidente da Câmara Municipal, Diamantino Sabina. “Temos que ter a consciência que apesar de convivermos com a indústria química, sendo indústrias SEVESO têm regras de segurança duríssimas, a segurança é total. Estamos preparados e a legislação assim obriga, o que aumenta a nossa tranquilidade. Estamos efetivamente preparados.”

Resumindo, Diamantino Sabina adianta que o “exercício montado testará numa boa extensão o que poderíamos contar caso um acidente destes ocorresse” e evidencia mais uma vez que “o acidente poderia ocorrer em qualquer estrada do país. Quisemos mostrar que somos capazes de fazer face a um acidente deste tipo.”

Ao desviar-se de uma cisterna de MDI, uma cisterna que transporta benzeno vai embater numa viatura ligeira, cujos ocupantes ficarão encarcerados, provocando o despiste de um autocarro e o derrame de substância tóxica. Este é o cenário escolhido para o simulacro de quarta-feira. O Presidente da Câmara Municipal, Diamantino Sabina, reforça o apelo à população para que mantenha a calma. “Isto é um exercício que tem que ser feito. Pese algum ruído e movimentação de ambulâncias, não haverá razões para alarmismos.”

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