Cartas inéditas de Fernando Piteira Santos apresentadas na Amadora

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Devo a mim próprio a memória da minha vida, uma compilação de cartas familiares de Fernando Piteira Santos, coordenada por Maria Antónia Fiadeiro, é lançada na Amadora, com apresentação de Maria Antónia Palla.

 

De acordo com a coordenadora da obra, e enteada de Fernando Piteira Santos, “são cartas manuscritas inéditas onde se contam e se refletem assuntos, relacionados com a vida de um pequeno agregado familiar que abrangem períodos de prisão, clandestinidade e exílio, quando a ditadura imperava em todo o país ostensivamente, abusivamente e em todos os lares sub-repticiamente.”

 

Fernando Piteira Santos

Nasceu na Amadora e aqui viveu até aos 39 anos. Durante o seu percurso académico na Cidade, manifestou igualmente uma intensa atividade desportiva, sendo sócio do Clube de Futebol Estrela da Amadora e atleta da Associação Académica da Amadora.

Ainda estudante, iniciou a sua carreira política, ingressando nas Juventudes Comunistas, tendo, na década de 40, desempenhado um papel importante na reorganização dos sectores juvenil e intelectual do PCP, de onde acabaria por ser expulso em 1950 sob a acusação de revisionista. Aproximou-se então da Resistência Republicana e Socialista, e acabaria por partir para o exílio no Norte de África, após o fracassado assalto ao Quartel de Beja em 1962, do qual participou.

Em Argel, foi um dos membros fundadores da Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), desenvolvendo um trabalho importante com o objetivo de criar um movimento unitário de oposição ao regime salazarista.

Regressou a Portugal após o 25 de Abril, e de 1974 a 1988 lecionou na Faculdade de Letras de Lisboa e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, orientando cadeiras, seminários e dissertações dedicadas ao estudo das questões metodológicas da História e dos regimes fascistas e totalitários, em especial o “Estado Novo”.

Durante a sua vida profissional, exerceu outras atividades além da de professor. Trabalhou nas editoras Europa–América e Sá da Costa, e foi jornalista, chegando mesmo a diretor-adjunto do Diário de Lisboa, onde durante largos anos assinou a importante coluna de análise política “Política de A a Z”.

Faleceu em Lisboa a 28 de Setembro de 1992, deixando um valioso acervo literário, que foi doado à Câmara Municipal da Amadora. O seu nome foi atribuído a um fundo bibliográfico, especializado em literatura política e história – o Fundo Bibliográfico Piteira Santos e, posteriormente, à Biblioteca Municipal, inaugurada em 2009.

 

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