Realiza-se em Tomar, entre os dias 18 e 27 de Outubro, mais uma edição da Feira de Santa Iria, certame que se cumpre regularmente, todos os Outonos, há quase quatro séculos. De facto, foi através de uma Carta Real de Filipe III que a Feira foi criada, em 3 de Outubro de 1626, associado ao culto da padroeira de Tomar.
Se o sistema comercial evoluiu profundamente desde então, em particular nas últimas décadas, com reflexos naturais no tipo de mercadorias procuradas pelos visitantes, não se perderam as características que fazem desta uma feira única, e que continuam a atrair grande parte da população do concelho e muitos forasteiros.
Uma dessas características é a Feira das Passas, na qual produtores de frutos secos e passados, muitos deles de âmbito estritamente familiar, vendem os seus produtos, e que este ano decorrerá na Várzea Grande, entre o Tribunal e a antiga Messe de Oficiais.
Acrescem a isto os divertimentos mecânicos e as vendas de produtos diversos, também na Várzea Grande, e as tasquinhas, exploradas por colectividades locais, no espaço do Mercado Municipal.
O dia em que chove pétalas
O momento mais simbólico da Feira é, porém, o dia 20 de Outubro, que este ano calha a um domingo. Reza a lenda que, há muitos séculos atrás, uma bela moça chamada Iria deixou perdido de amores o jovem Britaldo, mas já decidira consagrar a sua vida a Deus e isso mesmo lhe explicou. Todavia, no Convento, também o seu perceptor, frei Remígio, se apaixonou por ela e, neste caso, ao ver-se não correspondido, preparou-lhe uma beberagem que a fez parecer grávida. Britaldo, julgando-se enganado, mandou-a matar, acto de que um seu criado se encarregou, atirando depois o corpo para o rio Nabão.
Hoje, no suposto local, a Ponte Velha, o martírio da santa é recordado pelas crianças das escolas do concelho que, no dia 20, atiram milhares de flores e pétalas ao rio, simbolizando o sangue de Iria, num espectáculo único e magnífico.
Tudo começa com uma missa, às 10h00, na igreja de S. Maria do Olival, de onde partirá a procissão (às 11h00), pelo percurso Rua de S. Iria, Rotunda dos Bombeiros, Av.ª General Norton de Matos, Av.ª Ângela Tamagnini, Rotunda Raúl Lopes, Alameda Um de Março e Rua Marquês de Pombal até à Ponte Velha.
Todos os anos a lenda é também trabalhada nas escolas, resultando em inúmeros trabalhos manuais que estarão expostos durante os dias da Feira no Convento de S. Francisco. No mesmo local haverá este ano uma novidade para os mais pequenos: com base no livro “O dia em que choveu pétalas”, a história de Iria adaptada literariamente para as crianças por Nuno Garcia Lopes será contada pelo próprio, seguindo-se um atelier a partir das ilustrações de Sandro Ferreira. Dia 19 para o público em geral, e entre os dias 21 e 25 para as escolas, sempre às 10h00, sujeito a inscrição pelo telefone 249 329 876.
Filipe Santos (e muitos mais) no palco da Várzea
O programa da Feira é ainda complementado com muita animação, a decorrer no palco, este ano situado no espaço da antiga Messe de Oficiais, ao lado da igreja de S. Francisco. Assim, logo na sexta-feira, dia 18, pelas 22h00, actua a Banda T. No sábado, 19, à mesma hora, será a vez da Banda dos Gualdins e dos FH5 partilharem o palco.
No domingo, dia 20, a etnografia do concelho estará representada através do Rancho Folclórico da Linhaceira e do Rancho Folclórico do CIRE, que actuam a partir das 16h00. À noite, pelas 21h30, o palco será dos Krypton.
A animação musical regressa na quarta-feira, dia 23, pelas 22h00, através de Rock Avenue com FiIipe Santos (da Operação Triunfo), e ainda com a Tuna Cavaleiras de Sellium.
Na quinta, à mesma hora, actuam os K’Preta e na sexta os Sãos e Salvos. No sábado, 26, ainda às 22h00, será a vez da Tuna Templária e da Banda Réplica.
Finalmente, no domingo, 27 de Outubro, pelas 16h00, actuará o Rancho Folclórico de Alviobeira.

