Guiné-Bissau visita o Baixo Vouga Lagunar e a sua produção tradicional

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O Município de Estarreja recebeu, na segunda-feira à tarde, a visita de uma delegação da Guiné-Bissau, promovida pela ACTUAR – Associação para a Cooperação e Desenvolvimento, no âmbito de um “intercâmbio de conhecimentos sobre a certificação de produtos alimentares relacionados com a valorização do território”, explicou Joana Dias, representante da ONG.

A comitiva constituída por técnicos da Guiné Bissau (região de Cacheu), do Diretor Geral de Agricultura da Guiné Bissau, Carlos Amarante, e por representantes da ACTUAR foi recebida no Edifício dos Paços do Concelho pelo Presidente da Câmara Municipal de Estarreja, Diamantino Sabina, para uma reunião de trabalho sobre o sistema hidráulico do Baixo Vouga Lagunar. O encontro contou ainda com a presença de João Magalhães Crespo, Chefe da Delegação de Aveiro da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro, ao qual se seguiu uma visita ao terreno.

A deslocação ao território estarrejense teve como foco principal mostrar o sistema hidráulico e infraestruturas utilizadas na zona do Baixo Vouga Lagunar. Em comum, as duas regiões têm a produção de arroz. “Tinha que ser este o primeiro momento”, referiu a representante da ACTUAR, uma vez que Salreu é a zona mais a norte do país onde se produz arroz e onde existe uma “valorização dos conhecimentos tradicionais associados à produção”.

Com a finalidade de entrar com o arroz biológico de Cacheu no mercado europeu, tendo como porta de entrada Portugal, o Diretor Geral de Agricultura da Guiné Bissau, Carlos Amarante, referiu que a sua comitiva vem inteirar-se das várias fases do processo em Portugal tendo levado a “boa experiência” de Estarreja.

Depois de explicar o sistema de valas do Baixo Vouga Lagunar onde, de “uma forma muito natural, sem consumo de energia e de equipamentos, é possível manter um regadio sem rega, gerindo bem e controlando a água”, Magalhães Crespo acrescentou que é através da “partilha de conhecimentos que nascem ideias e luz sobre o que se deve fazer”, realçando a importância do “intercâmbio com técnicos de outros países”.

O roteiro por Portugal decorre até ao final da semana e passará por zonas de produção e transformação do arroz. Para além de Estarreja, Coimbra (Alqueidão), Salvaterra de Magos, Montemor-o-Novo e Alcácer do Sal.

A ACTUAR, uma organização não-governamental portuguesa, “trabalha com os diferentes países de língua portuguesa na área da segurança alimentar e nutricional”, adiantou Joana Dias, tendo como objetivos promover o desenvolvimento e o combate à pobreza e a proteção e promoção dos Direitos Humanos.

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