Notícias breves de Cultura sobre acontecimentos marcados para este fim-de-semana no agrupamento de municípios do Entre Douro e Vouga.
AROUCA
Encontro de Janeiras
A 23ª edição do Encontro de Janeiras de Arouca realiza-se sábado no salão dos bombeiros locais.
A iniciativa arranca com um desfile, a partir das 21:00, entre a rotunda principal da Avenida 25 de Abril e o salão onde decorrerá o encontro.
Participam os Pequenos Cantores da Paróquia de Arouca, Grupo de Cantares «Aléu» (Vila Real), Rancho Folclórico das Lavradeiras de Canelas (Arouca), Grupo de Cantares de S. João de Areias (Santa Comba Dão) e Orfeão de Arouca.
OLIVEIRA DE AZEMÉIS
Hora do conto na biblioteca
«Guia familiar para os Monstros lá de casa II» é a proposta para a sessão de sábado da «Hora do Conto e Oficina de Encanto» na Biblioteca Municipal Ferreira de Castro, em Oliveira de Azeméis.
A iniciativa é dirigida às famílias.
Esta sessão decorre na Sala do Conto e Atelier de Expressão Artística da biblioteca, entre as 14:30 e as 16:00.
S. JOÃO DA MADEIRA
Chapitô apresenta «Agora Eu Era»
Os Paços da Cultura de S. João da Madeira recebem sábado «Agora Eu Era», teatro visual e musical para todas as idades a partir dos quatro anos. Um espectáculo da Companhia do Chapitô, com início marcado para as 15:30.
Na sinopse de «Agora Eu Era» apontam-se os elementos centrais do espectáculo: «Três personagens e um baú, um contrabaixo que se transforma em porta, uma campainha que toca». Está dado o mote para momentos em que tudo é possível: «As coisas são o que fazemos delas, e nós somos tudo, e também podemos ser nada…».
Desde a sua formação em 1996, o Chapitô produziu 25 criações originais, apresentadas em Portugal e noutros países da Europa, América do Sul, Médio e Extremo Oriente.
SANTA MARIA DA FEIRA
Concerto dos «Deolinda» no cine-teatro António Lamoso
A banda revelação de 2007 – «Deolinda» – sobe ao palco do cine-teatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira, sábado pelas 21:45.
Integralmente a cantar em português, o grupo assume um leque de referências diversificado na música popular portuguesa, com temas de José Afonso, António Variações, Sérgio Godinho, Madredeus, bem como, Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro.
A banda integra também, de forma original, nas suas canções sonoridades características de rembetika grega, música ranchera mexicana, samba, música havaiana, jazz e pop.
O concerto faz parte do programa de animação da Festa das Fogaceiras.
Os bilhetes estão à venda no Posto de Turismo.
VALE DE CAMBRA
Swing, o jazz e ritmos ciganos no centro cultural
O grupo CoMCordas – The Gipsy Jazz Trio – actua este sábado no Centro Cultural de Macieira de Cambra, a partir das 21:30.
O swing, o jazz e os ritmos ciganos são alguns dos géneros musicais que englobam o espectáculo, interpretado por António Preto, Gil Duarte e Gonçalo Rafael.
Os bilhetes podem ser reservados em http://centrocultural.cm-valedecambra.pt.
Uma conversa com Daniela Lopes, piloto de corridas e profissional de recursos humanos.
No mundo das corridas de automóveis, onde a adrenalina e a velocidade se unem, uma figura destaca-se, não só por desafiar os limites dos classificativas, mas também os padrões convencionais do desporto motorizado. Daniela Lopes, uma piloto destemida e pioneira, está a fazer a diferença nos troços cronometrados onquistando a atenção daqueles que acompanham a modalidade.
Profissional de recursos humanos por ocupação, mas uma entusiasta de ralis por paixão. Numa e noutra função, Daniela Lopes leva consigo a positividade e a determinação que a caracterizam.
Nesta entrevista, mergulhamos na mente e no coração de Daniela Lopes. Ela partilha connosco as suas experiências emocionantes, desafios superados e lições aprendidas ao volante, bem como a influência que a sua carreira em recursos humanos tem no mundo das corridas. Descobrimos como Daniela enfrenta os obstáculos com determinação, mantendo uma mentalidade positiva que a impulsiona para a frente. Além disso, exploramos o papel inspirador que ela desempenha ao abrir portas para outras mulheres no automobilismo e a sua visão para o futuro.
Prepare-se para ser inspirado pelo relato sincero e envolvente de Daniela Lopes, à medida que nos leva a uma viagem através das curvas e retas da sua carreira única e apaixonante.
Preparação e emoções
Metronews – Como é que se preparou para o 10º Constálica Rallye Vouzela e Viseu? Houve alguma preparação específica em comparação com outras competições?
Daniela Lopes – Todas as provas exigem de nós alguma preparação não só física como psicológica. Este ano decidi preparar-me melhor fisicamente, pois por vezes deparamo-nos com temperaturas elevadíssimas, algumas horas de condução (antes, durante e após rali) o que gera também o cansaço acumulado. A prova de Castelo Branco já foi um teste – superado, portanto foi continuar a trabalhar nesse sentido.
Metronews – Quais são as emoções que está a sentir antes de participar neste rally? Há alguma diferença em relação a outros eventos em que competiu?
Daniela Lopes – Já acompanho esta prova há algum tempo mas só participei em 2021, com um final infeliz pois desisti na última PEC. Portanto, ficou um sabor agridoce e uma sentida vontade de regressar.
Falamos de um rali no interior do País, mas à semelhança de Castelo Branco, com traçados muito interessantes, uma envolvente de boa energia e com a particularidade de apostar em “ralis mais verdes”.
A Promolafões tem uma capacidade extrema de divulgar e promover as suas provas, juntando vários fatores em dois dias – consideremos a nossa paixão/desporto, família, natureza, e toda a parte social.
Terminar o rali em ambiente de festa, mais concretamente, na Feira de São Mateus, é o culminar de todo este esforço, divulgação e merecido trabalho de todos!
No meu caso particular, este ano estou com alguma expectativa, pois irei estrear-me com uma navegadora já com larga experiência.
Desafios do Rally
Metronews – Quais são os principais desafios que espera enfrentar neste rally em particular?
Daniela Lopes – Esta será a 3ª prova que irei fazer com o carro, portanto, continuo em fase de adaptação. Neste Constálica, tenho ainda o desafio de ir acompanhada com uma navegadora com quem nunca alinhei (a experiente Sofia Mouta) mas que estou certa de que será uma mais-valia para mim e para a minha evolução enquanto piloto.
Metronews – Como lida com obstáculos e situações inesperadas durante a corrida?
Daniela Lopes – É muito importante entrarmos para um rali de cabeça limpa, sem pressões e descontraídos. Isso permite-nos termos os nossos reflexos mais ativos e a nossa capacidade de reação mais desperta. Portanto, o importante não está só no momento das situações inesperadas, mas sim na “pré-situação”. Depois, as reações acontecem com naturalidade.
Tal como na vida, olho para os obstáculos como desafios que devem ser ultrapassados com a maior naturalidade possível e tento sempre retirar deles alguma aprendizagem.
Mentalidade e Inspiração
Metronews – Referiu anteriormente a ideia de superar desafios diariamente. Como é que essa mentalidade se aplica à sua abordagem nas corridas?
Daniela Lopes – A minha postura nos ralis é muito semelhante à minha postura na minha vida pessoal, sou lutadora, ambiciosa e consciente. Portanto, tento manter sempre o positivismo e transformo os obstáculos em desafios para conseguir ultrapassá-los com a maior naturalidade possível e retirar daí alguma aprendizagem. Pode não ser no momento, mas numa análise posterior.
Metronews – Quais são as principais fontes de inspiração que a ajudam a manter a sua determinação no mundo das corridas?
Daniela Lopes – A minha determinação vem do meu interior, vem do meu gosto pelo desporto, vem da minha ambição de alcançar os objetivos a que me proponho, de dar motivos de orgulho aos “meus” e transmitir valores e formas de estar na vida ao meu filho e a todos os que me veem como exemplo.
Basicamente, se tiver a minha família, a minha equipa/parceiros e os meus amigos, tenho a inspiração ou a força necessária para seguir em frente.
Contribuição para a igualdade de género
Metronews – A sua participação nos Guarda Racing Days já é um marco para a igualdade de género. Como é que acha que a sua presença influencia outras mulheres a considerar o automobilismo como uma opção?
Daniela Lopes – Infelizmente, por muito que tente passar a mensagem, acho que não é assim tão alcançável.
Apesar de por vezes, a opinião geral considerar que as mulheres têm um estatuto diferente e automaticamente mais benefícios, neste desporto não se aplica. É uma luta enorme alcançar bons apoios e que acreditem nas nossas capacidades.
Uma empresa que consiga alcançar a visão e as vantagens que pode ter ao apoiar uma mulher/equipa feminina, só pode ver sucesso e tirar bons resultados disso. O impacto é completamente distinto e bem trabalhado, torna-se benéfico para todas as partes.
Metronews – Que conselho daria a outras mulheres que desejem seguir os seus passos no mundo das corridas?
Daniela Lopes – Tenho o referido vezes sem conta, lutem pelos vossos sonhos e façam pela vossa felicidade.
Se a vossa vontade é fazer um rali ainda que pontualmente, não hesitem. Deem prioridade a vocês próprias, aos vossos gostos e ambições. A realidade de muitas mulheres é baseada na anulação – anularem-se pela família, pela própria sociedade ou até pela falta de coragem. E quando digo anularem-se, considerem o não se considerarem como prioridade.
A inclusão num mundo maioritariamente masculino não é tão simples quanto isso, mas este desporto está repleto de pessoas que gostam de ajudar e que estão dispostas a facilitar a integração.
Transição entre profissões
Metronews – É uma profissional de Recursos Humanos e agora também uma piloto notável. Como equilibra estas duas carreiras tão diferentes?
Daniela Lopes – A conjugação de duas áreas tão distintas é mesmo o meu ponto de equilíbrio. O rigor, a dedicação, o gosto e a ambição aplico tanto numa como na outra mas quando entro em competição acabo por descomprimir do stress laboral comum a qualquer área profissional.
Metronews – De que forma é que a sua experiência em Recursos Humanos influenciou a sua abordagem ao automobilismo?
Daniela Lopes – Os Recursos Humanos aparecem muito depois do automobilismo. O gosto pelos ralis vem de infância e a vontade de trabalhar nesta área surge quando assumi a minha primeira experiência profissional.
O gosto pelas relações interpessoais, a complexidade da área e o dinamismo cativa-me diariamente.
O que têm em comum?
Os ralis levam-nos a ter contacto com variadíssimos géneros de pessoas, obrigam-nos a gerir emoções dentro e fora do carro, termos capacidade de decisão no imediato, quase sem pensar na solução e para culminar, o sentido de responsabilidade.
Momentos memoráveis
Metronews – Até agora, qual foi o momento mais memorável da sua carreira nas corridas? Alguma vitória ou desafio que se destaque em particular?
Daniela Lopes – Todas as provas concluídas são uma vitória. Todas as que não foram concluídas ficam também na memória pois é daí que advêm diversas aprendizagens.
Sendo mais concreta, não esqueço o meu primeiro rali pois a minha experiência era nula e tinha andado num carro de competição apenas 5 minutos. Foi verdadeiramente desafiante mas o objetivo superado pois a classificação foi muito positiva. Por isso, foi para mim a prova memorável, foi o início de tudo.
A mais desafiante talvez o rali de Castelo Branco 2023, depois do que aconteceu em 2022. Retomar à competição e com um carro diferente, tornou tudo mais instigante.
Futuro no automobilismo
Metronews – Quais são os seus planos futuros no mundo do automobilismo? Há algum evento ou objetivo que esteja especialmente ansiosa por alcançar?
Daniela Lopes – Pretendo concluir esta época com sucesso e começar, de seguida, a analisar o ano de 2024. Quero evoluir o mais possível, continuar a registar boas memórias e a representar de forma digna todos os meus parceiros, amigos e família. Gosto de planos conscientes e atingíveis.
Conselhos para principiantes
Metronews – Para jovens que estão a começar no automobilismo, que dicas e conselhos partilharia para construir uma carreira bem-sucedida?
Daniela Lopes – Como qualquer início requer uma boa preparação, seja ela no patamar da condução ou de toda a matéria de projeto.
Os pilotos e os ralis atualmente têm de garantir uma forte visibilidade e presença. Daí que seja necessária uma especial atenção à imagem, apostando numa presença constante, seja em meios de comunicação, seja em eventos. Devemos ter uma postura assertiva neste âmbito e claramente, na estrada, sermos o mais competitivos possível.
Esta competitividade requer muito treino, kms, tempo e dedicação. Portanto, sobretudo aconselho a manter a ambição, a dedicação e o foco, daí advém tudo o que é necessário para o sucesso.
Paixões além das corridas
Metronews – Além das corridas, quais são as suas paixões e interesses que a ajudam a equilibrar a sua vida?
Daniela Lopes – Entre a minha profissão, a dedicação ao filho e família e os ralis, adoro desporto.
A prática de exercício físico é uma fonte de energia e renovação, seja ginásio, futebol ou outro. Sou uma pessoa que gosta de assumir várias responsabilidades e enfrentar vários projetos. Portanto, a fotografia, as redes sociais, a área de cosmética, entre outros, acabam por ocupar o pouco tempo livre.
Mensagem para os fãs
Metronews – Que mensagem gostaria de enviar aos seus fãs e a todos os que a apoiam na sua jornada no automobilismo?
Daniela Lopes – Enorme gratidão e orgulho.
Sozinha nunca conseguiria chegar até aqui e não esqueço quem me apoiou, quem está comigo e quem me motiva a ser mais e melhor. Seja família, equipa, amigos, patrocinadores ou apoiantes. Serão sempre a minha força e o meu orgulho pela atitude de companheirismo e confiança que têm para comigo.