Uma cadeira especial e um sorriso contagiante
O escultor português Paulo Neves teve a honra de desenhar e esculpir a cadeira utilizada pelo Papa Francisco durante a missa do acolhimento na Jornada Mundial da Juventude. Emocionado com a experiência do encontro com o líder da Igreja Católica que aconteceu em Roma em 2022, Paulo Neves destaca o sorriso especial do Papa e acredita que as pessoas deveriam aprender com ele a sorrir mais.
O encontro marcante entre o escultor Paulo Neves e o Papa Francisco
O escultor português Paulo Neves teve a oportunidade única de se encontrar com o Papa Francisco em Roma o ano passado, e dessa experiência resultou uma cadeira especial esculpida em madeira de cedro, utilizada pelo Pontífice na missa do acolhimento da Jornada Mundial da Juventude.
Durante esse encontro, Paulo Neves sentiu-se profundamente tocado pela atenção e conexão que o Papa estabeleceu com ele. “Encontrei um homem que estava a falar comigo e era comigo que ele estava”, recorda o escultor emocionado, ressaltando que o Papa Francisco não estava simplesmente a cumprimentá-lo, mas a dedicar-se completamente àquele momento.

A lição de sorriso do Papa Francisco
Além do gesto marcante, Paulo Neves destaca um traço característico do Papa Francisco que o marcou profundamente: o seu sorriso. Para o escultor, o sorriso do Pontífice é especial e carrega consigo uma lição importante para todos. “Eu acho que as pessoas podiam aprender com ele a sorrir um pouco. As pessoas andam muito tristes, muito chateadas. As pessoas têm que aprender a sorrir”, afirma Paulo Neves.
A arte de Paulo Neves ao serviço da fé
Paulo Neves, um escultor com uma relação íntima com a fé cristã, sentiu-se honrado mas também apreensivo ao receber o convite para criar as peças destinadas à Jornada Mundial da Juventude.
Após apresentar uma proposta que foi aceite pela organização do evento, o escultor esculpiu a cadeira e o ambão, ambos feitos em madeira de cedro, com um cheiro “magnífico” e simbólico.
Paulo Neves esculpiu diversas obras para templos religiosos. Destacam-se entre outras, o altar da igreja de S. Gonçalo em Amarante, o altar da igreja de Oliveira do Bairro, a sua belíssima intervenção artística no Mosteiro de Singeverga, em Santo Tirso ou no santuário de La Salette, em Oliveira de Azeméis.
Um bonito presépio em madeira que saiu das suas mão integra o património do Santuário de Fátima, mas há muitos outros exemplos que podiam ser referidos.
O futuro das obras de arte
Embora ainda não tenha destino certo, Paulo Neves tinha idealizado inicialmente que as peças regressassem à sua terra natal, Cucujães, para serem colocadas na capela de Nª Sra. das Neves, um local de culto construído em homenagem ao seu tio e guia espiritual.
No entanto, a organização da Jornada Mundial da Juventude expressou interesse em ficar com as peças. Como forma de manter viva a ligação com a sua terra natal, Paulo Neves planeia construir uma réplica da cadeira para ser exposta na capela em Cucujães, junto ao seu atelier.

A trajetória de Paulo Neves como escultor
Paulo Neves é um dos mais reconhecidos escultores nacionais, cujas obras, em pedra ou madeira, estão espalhadas pelo mundo. A sua arte é conhecida pela simplicidade e poder emocional que transmite.
O escultor tem uma relação muito especial com os materiais que utiliza. Com a madeira prefere trabalhar com troncos de árvores caídas, transformando a natureza em manifestações emocionantes. Cada escultura concebida por Paulo Neves é uma forma de transmitir sentimentos e sensações únicas, tocando a alma daqueles que têm o privilégio de contemplar as suas obras.
A exposição “O Tempo das Árvores” atualmente patente em Serralves é um exemplo claro dessa capacidade de transformar árvores já mortas em algo mais duradouro e belo, que estará aberta à visitação até 30 de setembro.