Exposição evocativa da obra de Tavares Correia, o “Pintor da neve” em Seia

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DSC_0278No ano em que se completam 10 anos sobre o desaparecimento do pintor senense José Tavares Correia de Carvalho, a Câmara Municipal de Seia, em parceria com a Associação de Arte e Imagem de Seia e herdeiros de Tavares Correia, evoca o pintor através de uma exposição centrada nas suas maiores obras, pouco vistas em exposições, a par de outras obras de referência do “pintor da neve”.

Tavares Correia nasceu em Seia a 05 de dezembro de 1908 e faleceu em 2005, aos 96 anos. Deixara de pintar em 2000, devido à idade e ao agravamento dos seus problemas de saúde, encerrando com uma importante exposição retrospetiva em Seia a sua longa carreira artística (74 anos).

Surdo-mudo de nascença, completou a instrução primária na Casa Pia de Lisboa, onde se praticava então o melhor ensino especial, e aí realizou os primeiros estudos artísticos, estudando depois desenho e pintura na Escola de Belas Artes de Lisboa e na Sociedade Nacional de Belas Artes.

Depois de passar por Paris, onde estudou com Leon Arno, fez uma estreia fabulosa em lisboa, vendendo quase todos os quadros da sua primeira exposição em Lisboa. Voltou a expor em Lisboa dois anos depois, em 1934, com igual sucesso e rasgados elogios da crítica. O jornal República intitulou-o de “Pintor da neve” mas os críticos também destacaram as naturezas-mortas, sobretudo com vidros, e os retratos.

De 1937 a 1980, Tavares Correia trabalhou na secção técnica da Câmara Municipal de Seia, período em que a sua produção pictórica quase parou, mas descobriu entretanto duas novas paixões: a escrita memorialista e o cinema. O seu filme a P/B e mudo (como o autor), “O cão perdeu o dono”, foi premiado em vários festivais de cinema portugueses e estrangeiros.

Regressou à pintura em 1980, com renovado entusiasmo e energia, passando a expor anualmente em Seia os quadros produzidos a cada ano. Foi homenageado em diversas ocasiões e distinguido pelo município senense em 1934 (Diploma de Cidadão Honorário) e 1985 (Medalha de Ouro e Diploma de Mérito Municipal). Em 2004, foi homenageado pelos artistas senenses na Artis III, Festa das Artes em Seia.

No primeiro feriado municipal após o seu falecimento foi atribuído o nome de Tavares Correia a uma artéria da cidade – uma velha aspiração do pintor senense, nunca concretizada em vida.

O centenário do seu nascimento foi assinalado com uma exposição retrospetiva na galeria do Posto de Turismo de Seia, no início de 2009, evocando-se agora a data da sua morte, em 2005. A exposição decorre nas Galerias da Casa Municipal da Cultura até final de agosto.

 

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