
Assinalando a passagem do 110º aniversário do seu nascimento, a Câmara Municipal de Tomar, em colaboração com a família, organizou uma exposição intitulada “Tomar e os tomarenses”, patente até 6 de Novembro no Edifício do Turismo e que inclui algumas das suas obras mais significativas relacionadas com gentes e recantos da terra nabantina.
A mostra foi inaugurada na passada sexta-feira, numa cerimónia que contou com a presença de um número considerável de cidadãos. Coube ao filho da autora, Luís Alvellos, fazer a abertura da sessão, dando conta de como as peças ali presentes eram apenas uma pequena parte dos mais de um milhar de quadros pintados pela mãe, e da necessidade de preservar a memória dessa vasta obra, especialmente significativa para Tomar.
Desse significado falou seguidamente Luís Graça, que abordou a importância da pintora no panorama artístico mas destacou muito especialmente as suas vivências tomarenses e a forma como retratou personalidades da vida local (em destaque na exposição encontram-se um auto-retrato, ladeado de figurações de Cândido Madureira e de Manoel da Motta) e momentos da nossa vida colectiva (um dos quadros que pode ser visto refere-se à Festa dos Tabuleiros, de que chegou a ser cartaz).
Maria do Rosário Alvellos, nora de Maria de Lourdes Mello e Castro, traçou também um esquisso sentimental da vida e obra da autora, abrindo uma janela sobre a maneira como pintava, mas igualmente como se relacionava com os outros e da força que emanava da sua presença.
A sessão de abertura foi encerrada pela presidente da Câmara de Tomar, Anabela Freitas, que em poucas palavras sintetizou a simbiose que esta exposição permite entre um espólio fundamental do século XX tomarense e aqueles que são os seus principais destinatários, os tomarenses do século XXI, que ali encontram um olhar relevante sobre o seu passado recente.
Maria de Lourdes Mello e Castro, que faleceu em 1996, fez a sua formação artística com o escultor Canto e Castro, com o paisagista Ezequiel Pereira e fundamentalmente com o pintor José Malhoa, com quem a sua pintura demonstra afinidades, mas de que se autonomiza com um tratamento delicado dos temas, que se evidencia especialmente na ternura do desenho.
Realizou a sua primeira exposição logo em 1927, no Salão da Primavera da Sociedade Nacional de Belas Artes, tendo realizado posteriormente diversas exposições individuais e participado em certames colectivos, em Portugal e no estrangeiro, no âmbito dos quais foi por diversas vezes premiada. Em 1989, a Fundação Calouste Gulbenkian apresentou uma retrospectiva da sua obra. Também em 2004, postumamente, a sua obra foi apresentada no Centro Cultural de Belém.
A exposição “Tomar e os Tomarenses” está patente ao público no Edifício do Turismo, frente à Mata dos Sete Montes, em Tomar, até dia 6 de Novembro, de segunda a domingo, das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.
