Médicos aconselham doentes sobre cuidados com a alimentação

Date:

A Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN) alerta os doentes com insuficiência renal crónica para a necessidade de terem cuidado com a alimentação, e também cautela para não correrem riscos de desnutrição.

“A escolha da dieta por parte do médico é sempre feita de uma forma individualizada, pois uma boa alimentação é fundamental para reduzir as complicações no doente renal e melhorar a sua qualidade de vida”, refere Fernando Nolasco, presidente da SPN.

Para os doentes com insuficiência renal crónica a dieta é uma parte fundamental do plano de tratamento, além da terapia farmacológica e dos tratamentos convencionais (diálise, hemodiálise e transplante renal).

Na insuficiência renal crónica, o fósforo contribui para as alterações ósseas observadas nestes doentes, pois não é eliminado de forma apropriada, acumulando-se quantidades excessivas. Por outro lado, os rins são responsáveis por activar a vitamina D essencial para que o organismo possa absorver o cálcio dos alimentos. Quando os rins deixam de funcionar, esta vitamina não é activada e o cálcio não é absorvido.

Por isso é importante reduzir a ingestão de fósforo e aumentar a ingestão de cálcio e vitamina D na sua forma activa. O fósforo e o cálcio estão presentes sobretudo no leite e seus derivados. Por esta razão existem medicamentos que actuam corrigindo os defeitos existentes.

A perda da funcionalidade dos rins faz também com que o potássio se acumule no sangue. “Quando os níveis ficam muito altos, o doente tende a sentir debilidade muscular, tremores e fadiga e pode correr risco de vida”, alerta o nefrologista. O potássio está presente sobretudo na fruta, frutos secos e legumes. Por se tratar de um mineral solúvel em água, grande parte do potássio contido nos alimentos pode ser eliminado através de técnicas culinárias tais como a imersão ou dupla cozedura.

Na insuficiência renal a eliminação de sódio e água através da urina é reduzida. Como consequência da retenção de sódio, os doentes têm uma grande sensação de sede e a retenção de água pode dar origem ao aparecimento de edemas na pele e subida da tensão arterial. Se esta condição não for controlada pode conduzir a situações de insuficiência cardíaca. Sal, queijo e marisco são os principais alimentos ricos em sódio.

Em Portugal, estima-se que 800 mil pessoas sofram de doença renal crónica. A progressão da doença é muitas vezes silenciosa, o que leva o doente a recorrer ao médico tardiamente, já sem qualquer possibilidade de recuperação.

Todos os anos surgem mais de 2 mil novos casos de doentes em falência renal. Em Portugal existem actualmente 16 mil doentes em tratamento substitutivo da função renal (cerca de 2/3 em diálise e 1/3 já transplantados), e cerca 2 mil aguardam em lista de espera a possibilidade de um transplante renal.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Share post:

Subscribe

spot_imgspot_img

Popular

More like this
Related

Lumen Vocis Ensemble Coral apresenta concerto “Das trevas à luz” na Branca

O Lumen Vocis Ensemble Coral apresenta no próximo 25...

Vila Nova de Gaia promove ações de sensibilização sobre o impacto dos ecrãs na saúde e educação

O projeto «Crescer Curioso», desenvolvido pela Mirabilis, vai percorrer...

Equipa da Ferreira de Castro conquista 3.º lugar na final da Game Jam: Fab Games

A equipa Log Bait, do Agrupamento de Escolas Ferreira...

Feira da Foda 2025: Monção celebra a tradição gastronómica com grande festa

A vila de Monção prepara-se para receber mais uma...