Moita Flores apresentou livro “Mataram o Sidónio” em Abrantes

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O espaço da Biblioteca Municipal António Botto escolhido para a apresentação do livro encheu para ouvir Francisco Moita Flores, na noite do dia 24 de Fevereiro.
A apresentação esteve a cargo do Intendente Pedro Coelho de Moura, ex-Comandante da esquadra de Abrantes da PSP, pela proximidade profissional ao autor que, como é sabido, fez carreira como inspector da Policia Judiciária.
“Mataram o Sidónio!”. A expressão ouviu-se pela primeira vez há 91 anos, na estação do Rossio, em Lisboa, quando o então Presidente da República foi assassinado. O escritor Francisco Moita Flores adaptou a expressão para dar título ao romance sobre o mistério do seu assassinato.
Com 300 páginas, o livro é um retrato fiel (típico de investigação) que aborda os procedimentos médico-legais, policiais e jornalísticos, utilizados no caso da morte do quarto Presidente da I República. Uma morte envolvida em mistério, mantido pelo escritor.
O livro mostra ainda a sociedade portuguesa à altura dos acontecimentos. Moita Flores chama-lhe “o ano terrível” (1918), marcado pelo fim da Primeira Guerra Mundial, uma grande crise económica e pela pneumónica (ou a espanhola, como é descrita no livro) que alastrava pelo país. O também presidente da câmara de Santarém aproveitou para dizer que um dos motivos que o levou a escrever o livro foi, entre outros, por alguma “indignação” que sente quando ouve alguns “discursos apocalípticos, profetizados por alguns economistas” quando se referem à actual situação do país. “1918, sim, foi o ano de todas as misérias”, salientou. O autor confessou ainda que a sua vontade de “falar” sobre este caso já remonta aos tempos da universidade. Muitos dos dados apresentados na obra são baseados em fontes oficiais, incluindo uma separata sobre a autópsia ao corpo de Sidónio Pais que lhe foi dado a conhecer. Recordou ainda que a criação em Portugal da Policia de Investigação remonta a esse período.
Escritor e autarca. Pragmático e desafiador. Moita Flores é também um homem de afectos. Em Abrantes disse que “ a única maneira que temos de receber é saber dar” e “(…) a memória não é feita de honrarias. É feita de afectos”.
A apresentação terminou com uma sessão de autógrafos.

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