Américo Amorim é hoje o homem mais rico de Portugal com uma fortuna avaliada em 3,106 mil milhões de euros iniciada há décadas numa pequena empresa familiar dedicada a um dos mais tradicionais produtos portugueses: a cortiça.
A revista Exame divulgou hoje a lista dos 100 homens mais ricos de Portugal, que passou este ano a ser encabeçada pelo empresário de Mozelos, concelho de Santa Maria da Feira.
Aos 74 anos, Américo Amorim viu este ano a sua fortuna crescer 11,6 por cento para os 3,106 mil milhões de euros, uma quantia que também já lhe valeu a classificação de 2008 pela Forbes como o cidadão mais rico de Portugal, ultrapassando Belmiro de Azevedo, que ocupava aquela posição desde desde 2004.
Com participações no Grupo Amorim, Corticeira Amorim, Galp Energia e Banco Popular, Américo Amorim é um dos principais accionistas do Banco Internacional de Crédito, a terceira maior instituição bancária de Angola, e na Cimangola.
Remontando a sua origem a 1870, o Grupo Amorim é hoje uma das maiores, mais empreendedoras e dinâmicas multinacionais de origem portuguesa.
Após o curso comercial, Américo Amorim lançou-se na actividade profissional com 19 anos naquela que era a única empresa do grupo na altura – a Amorim & Irmãos – e em 1963 iniciava o processo de integração vertical da indústria com a criação da Corticeira Amorim, tendo como sócios os irmãos António, Joaquim e José e o tio Henrique.
Actualmente, as aplicações de cortiça incluem não apenas produtos tradicionais de alto valor acrescentado, como é o caso da rolha, mas também produtos de elevada qualidade, para incorporação nas indústrias aeronáutica, de construção ou vinícola.
A aquisição e a criação de canais próprios de distribuição nos finais dos anos 80 e durante a década de 90 viria a dar a Américo Amorim a liderança mundial no negócio de cortiça, com subsidiárias em todos os continentes e exportando para mais de 100 países.
Hoje possui um portfólio que junta a liderança da indústria da cortiça a um vasto leque de actividades, na área do turismo rural, dos têxteis, dos produtos naturais de excelência e várias outras iniciativas em permanente desenvolvimento.
Também com os seus irmãos, fundou a Ipocork, de placas e revestimentos, e a Champcork, com a qual o grupo Amorim se introduz no exigente mercado do champanhe.
É criada a Amorim Investimentos e Participações (AIP) e em 1988 a Corticeira Amorim passa a estar cotada em bolsa, tornando-se líder mundial do sector em 1989, com a aquisição do grupo sueco Wicanders.
A par da cortiça, ainda hoje o “core business” do empresário, o Grupo interveio também em várias operações e actividades ligadas à banca privada, ao petróleo e às telecomunicações móveis.
Participou na fundação da Sociedade Portuguesa de Investimentos (SPI), actualmente banco BPI, projecto que abandona em 1984, ano em que avança com mais 12 empresários para a criação do Banco Comercial Português (BCP). Este surge um ano depois com Américo Amorim a convidar Jardim Gonçalves para a sua direcção.
Poucos anos depois, funda a Soserfin, hoje BPN – Banco Português de Negócios/Real Companhia de Seguros, e em 1992 o BNC – Banco Nacional de Crédito, efectuando em 2003 uma troca de acções deste banco com o BPE – Banco Popular Español. Em Maio de 2005, criava então o BIC – Banco Internacional de Crédito, em Angola.
No sector petrolífero, participou em 1995 na privatização parcial da empresa petrolífera Petrogal e em 2005 adquiriu uma participação do capital da Galp, em parceria com a Sonangol.
Como conta Miguel Judas, no seu livro “Os 10 mais ricos de Portugal”, fez também um dos melhores negócios com a Telecel e, aliado ao BES, à Centrel e à Efacec, ganhou em 1991 o concurso para as comunicações móveis em Portugal, um investimento de 15 milhões de contos que anos mais tarde veio a vender ao grupo Vodafone por mais de 100 milhões de contos.
É o português que mais relações manteve no período de 1958, até ao final da perestroika, com todos os países da ex-COMECON – a organização económica que agrupava os Estados satélites da URSS. E é um dos primeiros industriais a deslocar-se aos territórios do antigo bloco comunista, numa altura em que Portugal não mantinha com eles qualquer tipo de relação devido à natureza ideológica do regime de Salazar, conta Miguel Judas.
Ainda hoje mantém relações com todos eles, independentemente do seu estado político e da sua evolução.
Américo Ferreira de Amorim nasceu em Mozelos em Julho 1934, concelho de Santa Maria da Feira, faz parte da terceira geração da família Amorim, é casado, tem três filhas e cinco netos.
Como narra Miguel Judas, “o domingo é o único dia que tira para descansar e estar com a família. O seu dia de trabalho começa por volta das oito da manhã e prolonga-se por mais de 12 horas”.
“Costuma dizer que o seu descanso é o trabalho e nada o faz parar”, relata Miguel Judas no seu livro.

